Começa por TÉCNICO. Soa tão rígido. Tão racional. Como é que eu posso expandir as minhas emoções sendo apenas TÉCNICO?! Impossível! A segunda palavra da minha profissão, OFICIAL, é ainda pior. Toda a gente foge de tudo o que seja oficial. Eu não posso. Faz parte de mim. Todos os dias. Até tive direito a nomeação. Bolas, que atrofio!!! E CONTAS?! Cada vez fica pior. Como é que eu consigo desenvolver a minha criatividade se tenho a palavra CONTAS na minha profissão? Liberdade, por favor. Alma a gritar. A partir tudo. Preciso de dar asas à minha imaginação, à minha criatividade, à minha emoção. Com o Teatro posso. No Teatro consigo. Pelo Teatro vou! Sinto-me preso. Quero liberdade. Não há motivação maior do que uma pessoa que está presa, para ser livre. Para se sentir livre. É um reflexo da espécie humana. Quem está preso anseia por liberdade. Não há motivação maior. Esta é a minha motivação. A de libertar a minha alma do monopólio do TÉCNICO, do OFICIAL e do raio das CONTAS.
O homem vitruviano
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